quinta-feira, dezembro 14, 2006

Cigarettes Of Chocolate Milk


Eu olho pra ele e lembro do campo de terra batida do prédio (uma piscina que nunca virou piscina) e da testura das cascas das árvores da rua do Timbó. Antes dos prédios e das grades. Quando eu sabia que era domingo quando via um moleque sentado no paralelepípedo gritando "A TARDEEEE!! A TARDEEEEEEE!!"

Quando o sorveteiro de latão se anunciava com aquela gaita engraçada e começava a briga pelo sorvete de nata. Mas que a casquinha era uma droga, isso era.

Eu amava uma menina de cabelos pretos que era minha vizinha. E também amava outra de cabelos louros que era minha colega na escolinha. Dentre as bijuterias que minha tia vendia eu comprei dois anéis, e dei um pra cada uma. Não ganhei nenhum beijo, mas me dava por satisfeito porque, eu era mais homem do que qualquer menino de toda o bairro da Pituba.

Qualquer maneira de amor vale a pena, qualquer maneira de amor valerá

Quando o caminhão de mudança veio, cheio de vazio para colocar nossos móveis, eu fiquei só, como nunca tinha ficado até aqueles meus dez anos. É quase a mesma solidão de agora. Meus amigos foram pra longe, mas eu que me sinto longe de casa... E eu tenho que ficar por mais um ano ou mais, até o portão se abrir de novo.

...

Que cheiro ele vai ter quando tiver cor?



Ao som de Rufus Wainwright - "Cigarettes and Chocolate Milk" ~

sexta-feira, dezembro 08, 2006

2006...

Tem um "que" de ironia, não tem? Meu primeiro post de 2006 é justamente no ultimo mês do ano.

Não que que não tivesse o que escrever, mas é realmente complicado organizar as idéias de um ano tão conturbado em uns poucos caracteres. Eu nunca tive nenhuma pretenção de ser escrtior, vocês sabem... E na verdade não tenho a menor pretenção de acreditar que ainda exista alguma alma viva a ler essas desengonçadas linhas.

Pra quem me conheceu em 2006, Muito prazer..., eu sou o Fabrício. Meus amigos me chamam de Ein (Aín) e esse é o espaço. Antes que eu tenha que enfiar vocês em um monólogo interminável, a quem interessar possa, os velhos posts ainda vão dizer mais ou menos que tipo de pessoa eu costumava a ser (ou talvez ainda seja...)

Não que tenha mudado muita coisa...

É que muito daquela fé irrefutável que eu tinha no coração das pessoas se desfez igual a açucar em um copo d'agua. As pessoas perderam um pouco do senso de onde deveriam estar, como pipas sem rabiola...

Pensando bem, será que eu conseguiria me reconhecer, naquele primeiro post lá em baixo (logo quando eu cheguei de São Paulo)? Acho que aquela foi a história mais assustadora da minha vida até então. Mas tinha um bom-humor um tanto mórbido que me fazia acreditar que eu estava às portas de um ano novo e especial.

O ano ainda não acabou.

E bem vindos de volta.