sexta-feira, setembro 16, 2005

O Rei Está Nú!

Disse o Roberto Jefferson no plenário da camara dos deputados minutos antes de perder seu quinto (e queria Deus, derradeiro) mandato. Ainda deu sorte porque, se fosse a França do rei Luís XIV (ou "Louis", como queiram) ele teria que tratar de procurar outra cabeça pra colocar no pescocinho dele depois dessa frase. Saiu de "cabeça" e topete erguido para desfrutar uma adocicada aposentadora de R$ 8.900,00 mensais. Diz ele que vai virar cantor...

Nome artístico de cantor de bolero ele já tem. Não duvide se você um dia ouvi-lo cantar no canal de audio de rítimos latinos da DirecTV. O passo definitivo para o sucesso da sua carreira de modelo atriz cantora e escroque. Tem gente que trata ele como o William Wallace de Brasília. Fazer o que?

Na verdade o Jefferson não tem nada a ver com o título (a não ser a óbvia mensão a seu celebre discurso de defesa..., o despedida, tanto faz). Na verdade foi um fato engraçado que aconteceu enquanto eu retornava da minha primeira sessão de fisioterapia. Ah, isso também é importante relatar!

Hoje eu voltei ao Hospital São Rafael. Sem dúvida ele fazem um bom proveito do seu dinheiro porque, ele parece muito com o hotel Blue Tree Convention Center (exceto pelas macas, cadeiras de rodas e médicos, claro). Cumprimentei alguns funcionarios que conheci na minha ultima estadia: O Janilson (o cara da maca, lembra?), a enfermeira do setor de ortopedia e até um residente que me usou como material de estudo na mesa de cirurgia. O cozinheiro não.

Desci até o 'terceiro subsolo" e... Velho, isso é tudo, menos um hospital. Uma sala de espera como num consultório de dentistas (leia: TV ligada na "Sessão da Tarde" um big sofá e pilhas de revista "Caras") bisbilhotando um pouco mais os corredores do setor dava pra ver os aparelhos de musculação (Coisa de academia Julião Castello pra cima).

A minha fisoterapeuta, a Dra Angélica Souza, me atendeu em uma salinha à parte. Ele verificou as radiografias, os relatórios do Dr. Ricardo e coletou os angulos atuais que cada articulação da minha mão conseguia atualmente. "Ok, podemos começar?"

Como assim?! (Eu saí da mesa de cirurgia a dois dias, meu dedo ainda tá inchado e esses pontos estão me matando, cacete!!!) Oo

Bem, é isso ou vai ser como a turma disse. Nunca mais poder tomar cafézinho em público. A sala de fisioterapia é maravilhosa... Uma aéra ampla, alguns aparelhos, enormes bolas coloridas e outros pacientes... rindo, fazendo caretas de dor, conversando, abafando gritinhos e rindo. Além da Dra. Angélica, tem mais 3 fisoterapeutas trabalhando sob a coordenação dela. Duas delas ainda são estudantes de fisioterapia. Lindas. A Ana mesmo..., conheço algus amigos meus que ficariam se atirando de ombro contra uma pilastra só pra garantir uma sessão na presença dela. "Mãos de fada" como diz seu Batista. Seu Batista é um senhor de mais idade que faz tratamento comigo. Pelo que eu ouvi ele tem progredido bastante. "O segredo é fisoterapia durante a semana e um 'rala-chinela' nos fins de semana". Além dele tem um padre e um cara da minha faixa de idade que está se reabilitando de uma lesão por esforço repetitivo... musulação. E é claro, dona Amparo. Uma corôa muito gente fina que com certeza já beira os 60 mas usa aparelho ortodontico. Ela diz que passou a curtir a vida só depois que casou já que o pai, militar linha-dura, nunca a deixou ir a praia..., dificil acreditar! Agora com 25 anos de casada e dois filhos criados, ela esbanja bom-humor e irreverencia. Ela mostrou as fotos dos filhos quando ainda pequenos. O "garotinho" parecia ter saido de um comercial de coppertone e a "mocinha" foi uma das poucas pessoas na minha vida que vi sair bem em uma foto 3x4.

Eu mostrei pra ela uma carteirinha da federação baiana de judô com uma foto minha aos 5 anos de idade e comentei: "Ainda bem que seus filhos nasceram bonitos, afinal, uma vez feio sempre feio, viu? Será que meus filhos vão ser bonitos?" Ela deu risada e me recriminou de pronto: "Oxi rapaz! Um homenzinho lindo desses tá se queixando de quê? Aninha ele não é um pão?" (Diz que sim Aninha, diz que siiimm...!!) "Repete comigo, meus filhos vão ser lindos como eu." E pra não contrariar: "Meus filhos vão ser lindos." (queira Deus, como a mãe deles)

Depois de alguns exercícios com uma toalha de rosto e uma aplicação sofrida de pomadas e gelo a sessão acabou. E eu saí pra lá de otimista, ganhei quase mais 5 graus de inclinação na segunda falange!! Me despedi com todo o bom-humor daquela sala e fui para o ponto de ônibus. Foi lá que o tal fato inusitado aconteceu.

O quando subí no micro um ultimo passageiro correu pra alcançar a condução e perguntou ao motorista a celebre frase: "Ô meu rei, esse onibus passa em Itapoã?"

Contenha o riso numa hora dessa. Eu não consegui.. nem o motorista. Era um gaúcho, devia estar visitando alguém no hospital, não sei. Mas o motorista com com uma dose de morfina e duas de ironia respondeu: "Ô VÉI..., esse aqui até passa perto mas sobe o Abaeté, melhó cê pegá Itapoã mermo, tá ligado? Segura aí que ele tá chegando vú, véi?"

O motorista virou pra os outros passageiros, deu aquela risadinha bossal, e se escondeu denovo atras dos óculos escuros. Isso lembra o episódio daquele traficante americano fugitivo do FBI, o Jesse James Hollywood, que foi preso pela PF em março num shopping do Rio. Quando "os homi" abordaram ele e deram vóz de prisão, ele teria dito: "É engano, sou bresileurôu, sou quérioca..." Um dos agentes teria caido no riso e ele descobriu que calçar havaianas não da brasilidade a ninguém. A mesma coisa com o suposto gaúcho, esqueceram de avisar que aquele livrinho "Dicionário de Baianês" trata-se de literatura de entretenimento, uma sátira, e não de referencia linguistica regional (se bem que falar segundo a cartilha do livros seria no mínimo divertido).

Não é a primeira vez que acontece esse tipo de coisa comigo. Em Sampa aconteceu direto. Eu me vi mais como uma afronta a caricatura "global" de baiano que o resto do mundo cultiva. Eu era um "fake" da desinformação.

O que houve com o nosso querido o rei? O rei deles, o seu rei, e é claro, o meu rei? O rei que foi levado ao trono por alguma super-nova da axé music da década de oitenta, caiu no maior carnaval do planeta e depois caiu no desuso? Sabe Deus. Só sei que de uma decada pra cá é muito raro eu ver um amigo, um conhecido ou um transeunte qualquer usando o quase-pronome mais famoso da Bahia. Pra mim e pra tantos outros ele tem uma sonoridade tão estranha... (pra mim mesmo é mais um ruido de comunicação do que um som)

O "véi", o "joe" e o "corrente" depuseram o monarca bonachão... Mas no fundo até acho que seria divertido usa-lo de vez enquando...

Quer saber? Vida longa ao rei!

2 Comments:

At 17 setembro, 2005 13:59, Anonymous Anônimo said...

Ô véi! hauhauhauahauhau... Fale sério, aconteceu isso comigo soh q lá em recife! Ateh a galera da vizinhança gera desconforto. No +, "meu rei" Sucesso na fisio e se jogue nesa fisioterapeuta!

 
At 20 setembro, 2005 01:05, Anonymous Anônimo said...

Ae, manow, é bom cê i treinando o jeitão dos manos pra quando tu voltar pra sampa, certo?

Fabrício, esse padrão do blogger está feio, mas acho q nas suas atuais condições, é meio difícil aprimorar o design... de qq jeito, vc escreve de um jeito muito irreverente, muito legal, tem uma narrativa gostosa e criativa. Pq ñ larga marketing e desenho p/ virar escritor??

Melhoras, e boa sorte com as fisioterapeutas lindas...

 

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