sábado, setembro 17, 2005

Numa Bôa

Codeína é a droga da moda.

Na falta do que fazer num sábado a noite eu resolver promover minha versão privê de Woodstock com meus CDs, um *uta fone de ouvido e muitas drogas pesadas como Tylex de 30mg e Nimesulida de 100... Uma viaaaaagem!! Na verdade é porque as vezes entro na noia de achar que posso sentir o pino de titânio na roçando na carne... é só frescura.

Eu nunca fui uma pessoa muito bem resolvida com a sensação da dor, o que pode ter atrapalhado muito no meu progresso como pessoa, acho. Num jogo de queimada no recreio eu já não era um moleque muito competitivo, anos depois me tornei um adulto medroso pra certas coisas. Certas horas eu encaro a vida com doses cavalares conformismo e contentamento. Eu vivo me equilibrando na tênue linha entre a perseverança e a frouxidão. Tem que me diga que isso é sabedoria, mas eu chamo de frouxidão mesmo.

Sim, voltando a minha Woodstock, Bôa está no palco. A Bôa que me refiro é a banda inglesa e não a cantora coreana BoA. Todo mundo confunde! Oo

Quem já assistiu Serial Experiments Lain na antiga Locomotion já deve ter se encantado com o tema de abertura do anime, a belíssima Duvet. É um ótimo cartão de visitas pra uma banda. Eu tenho comigo os albuns Twilight e The Race of a Thousand Camels (Além dos singles com versões especiais de Duvet) que são realmente muito bons, se você puder conseguir algum deles ou todos eles, faça.

Definitivamente Bôa não é uma banda de uma música só e a vocalista Jasmine Rodgers é mais do que um rostinho bonito... tô te falando, vai por mim! Eu acho ela uma letrista fabulosa. As letras delas são construidas sobre conceitos simples e palavras cotidianas, mas a forma como ela desenvolve as frases faz com que elas fiquem tão sonoras quanto a melodia.

Os arranjos são maravilhosos e bem organicos e os vocais da Jasmine são suaves e despretencioso. Tem graça, sabe? Ela consegue ser tocante sem ter que buscar todo o tempo por notas intangíveis aos "seres humanos normais". Acho um porre quando um músico faz isso (A Dolores O'riordan faz isso o tempo todo)... Como eu posso cantarolar a *orra da musica dela no chuveiro sem conseguir um *uta calo nas cordas vocais?

Cacete, como crítico musical eu morreria de fome. Resumindo, é como você disse, Doda: "Essa japinha é um rouxinol!"

Vou deixar algumas músicas quentes pra quem quiser conferir o som da banda

No mais, estou à exatos 22 dias sem colocar uma gota de alcool na boca, então vou ver Zorra Total, ter uma overdose de tédio (não de analgésicos) e tentar ter cuidado pra não morrer como Jimi Hendrix



O Mapa da mina: "Duvet" (original e o Cyberia remix), "Rain", "Deeply", "Little Miss", "Anna Maria", "Elephant", "For Jasmine" e "Twilight"

sexta-feira, setembro 16, 2005

O Rei Está Nú!

Disse o Roberto Jefferson no plenário da camara dos deputados minutos antes de perder seu quinto (e queria Deus, derradeiro) mandato. Ainda deu sorte porque, se fosse a França do rei Luís XIV (ou "Louis", como queiram) ele teria que tratar de procurar outra cabeça pra colocar no pescocinho dele depois dessa frase. Saiu de "cabeça" e topete erguido para desfrutar uma adocicada aposentadora de R$ 8.900,00 mensais. Diz ele que vai virar cantor...

Nome artístico de cantor de bolero ele já tem. Não duvide se você um dia ouvi-lo cantar no canal de audio de rítimos latinos da DirecTV. O passo definitivo para o sucesso da sua carreira de modelo atriz cantora e escroque. Tem gente que trata ele como o William Wallace de Brasília. Fazer o que?

Na verdade o Jefferson não tem nada a ver com o título (a não ser a óbvia mensão a seu celebre discurso de defesa..., o despedida, tanto faz). Na verdade foi um fato engraçado que aconteceu enquanto eu retornava da minha primeira sessão de fisioterapia. Ah, isso também é importante relatar!

Hoje eu voltei ao Hospital São Rafael. Sem dúvida ele fazem um bom proveito do seu dinheiro porque, ele parece muito com o hotel Blue Tree Convention Center (exceto pelas macas, cadeiras de rodas e médicos, claro). Cumprimentei alguns funcionarios que conheci na minha ultima estadia: O Janilson (o cara da maca, lembra?), a enfermeira do setor de ortopedia e até um residente que me usou como material de estudo na mesa de cirurgia. O cozinheiro não.

Desci até o 'terceiro subsolo" e... Velho, isso é tudo, menos um hospital. Uma sala de espera como num consultório de dentistas (leia: TV ligada na "Sessão da Tarde" um big sofá e pilhas de revista "Caras") bisbilhotando um pouco mais os corredores do setor dava pra ver os aparelhos de musculação (Coisa de academia Julião Castello pra cima).

A minha fisoterapeuta, a Dra Angélica Souza, me atendeu em uma salinha à parte. Ele verificou as radiografias, os relatórios do Dr. Ricardo e coletou os angulos atuais que cada articulação da minha mão conseguia atualmente. "Ok, podemos começar?"

Como assim?! (Eu saí da mesa de cirurgia a dois dias, meu dedo ainda tá inchado e esses pontos estão me matando, cacete!!!) Oo

Bem, é isso ou vai ser como a turma disse. Nunca mais poder tomar cafézinho em público. A sala de fisioterapia é maravilhosa... Uma aéra ampla, alguns aparelhos, enormes bolas coloridas e outros pacientes... rindo, fazendo caretas de dor, conversando, abafando gritinhos e rindo. Além da Dra. Angélica, tem mais 3 fisoterapeutas trabalhando sob a coordenação dela. Duas delas ainda são estudantes de fisioterapia. Lindas. A Ana mesmo..., conheço algus amigos meus que ficariam se atirando de ombro contra uma pilastra só pra garantir uma sessão na presença dela. "Mãos de fada" como diz seu Batista. Seu Batista é um senhor de mais idade que faz tratamento comigo. Pelo que eu ouvi ele tem progredido bastante. "O segredo é fisoterapia durante a semana e um 'rala-chinela' nos fins de semana". Além dele tem um padre e um cara da minha faixa de idade que está se reabilitando de uma lesão por esforço repetitivo... musulação. E é claro, dona Amparo. Uma corôa muito gente fina que com certeza já beira os 60 mas usa aparelho ortodontico. Ela diz que passou a curtir a vida só depois que casou já que o pai, militar linha-dura, nunca a deixou ir a praia..., dificil acreditar! Agora com 25 anos de casada e dois filhos criados, ela esbanja bom-humor e irreverencia. Ela mostrou as fotos dos filhos quando ainda pequenos. O "garotinho" parecia ter saido de um comercial de coppertone e a "mocinha" foi uma das poucas pessoas na minha vida que vi sair bem em uma foto 3x4.

Eu mostrei pra ela uma carteirinha da federação baiana de judô com uma foto minha aos 5 anos de idade e comentei: "Ainda bem que seus filhos nasceram bonitos, afinal, uma vez feio sempre feio, viu? Será que meus filhos vão ser bonitos?" Ela deu risada e me recriminou de pronto: "Oxi rapaz! Um homenzinho lindo desses tá se queixando de quê? Aninha ele não é um pão?" (Diz que sim Aninha, diz que siiimm...!!) "Repete comigo, meus filhos vão ser lindos como eu." E pra não contrariar: "Meus filhos vão ser lindos." (queira Deus, como a mãe deles)

Depois de alguns exercícios com uma toalha de rosto e uma aplicação sofrida de pomadas e gelo a sessão acabou. E eu saí pra lá de otimista, ganhei quase mais 5 graus de inclinação na segunda falange!! Me despedi com todo o bom-humor daquela sala e fui para o ponto de ônibus. Foi lá que o tal fato inusitado aconteceu.

O quando subí no micro um ultimo passageiro correu pra alcançar a condução e perguntou ao motorista a celebre frase: "Ô meu rei, esse onibus passa em Itapoã?"

Contenha o riso numa hora dessa. Eu não consegui.. nem o motorista. Era um gaúcho, devia estar visitando alguém no hospital, não sei. Mas o motorista com com uma dose de morfina e duas de ironia respondeu: "Ô VÉI..., esse aqui até passa perto mas sobe o Abaeté, melhó cê pegá Itapoã mermo, tá ligado? Segura aí que ele tá chegando vú, véi?"

O motorista virou pra os outros passageiros, deu aquela risadinha bossal, e se escondeu denovo atras dos óculos escuros. Isso lembra o episódio daquele traficante americano fugitivo do FBI, o Jesse James Hollywood, que foi preso pela PF em março num shopping do Rio. Quando "os homi" abordaram ele e deram vóz de prisão, ele teria dito: "É engano, sou bresileurôu, sou quérioca..." Um dos agentes teria caido no riso e ele descobriu que calçar havaianas não da brasilidade a ninguém. A mesma coisa com o suposto gaúcho, esqueceram de avisar que aquele livrinho "Dicionário de Baianês" trata-se de literatura de entretenimento, uma sátira, e não de referencia linguistica regional (se bem que falar segundo a cartilha do livros seria no mínimo divertido).

Não é a primeira vez que acontece esse tipo de coisa comigo. Em Sampa aconteceu direto. Eu me vi mais como uma afronta a caricatura "global" de baiano que o resto do mundo cultiva. Eu era um "fake" da desinformação.

O que houve com o nosso querido o rei? O rei deles, o seu rei, e é claro, o meu rei? O rei que foi levado ao trono por alguma super-nova da axé music da década de oitenta, caiu no maior carnaval do planeta e depois caiu no desuso? Sabe Deus. Só sei que de uma decada pra cá é muito raro eu ver um amigo, um conhecido ou um transeunte qualquer usando o quase-pronome mais famoso da Bahia. Pra mim e pra tantos outros ele tem uma sonoridade tão estranha... (pra mim mesmo é mais um ruido de comunicação do que um som)

O "véi", o "joe" e o "corrente" depuseram o monarca bonachão... Mas no fundo até acho que seria divertido usa-lo de vez enquando...

Quer saber? Vida longa ao rei!

quinta-feira, setembro 15, 2005

O Homem de Seis Mil Reais

Acabo de voltar da minha inesquecível estadia nas acomodações do hospital São Rafael algumas gramas mais pesado. Pensando bem, se você for contabilizar o peso dos implantes e subitrair a comida horrorosa do hospital que eu (não) comi, devo ter perdido quase meio quilo em dois dias. E não é a alimentação intravenosa que tira o apetite, a comida que é ruim mesmo. Desconfio que o administrador do necrotério deve ser também o responsável pelo menu oferecido aos pacientes porque a comida, sem dúvida, é de morte.

Mas se hoje estou aqui feliz e bem-humorado reclamando da comida é porque o Dr. Ricardo Fernandes e toda a sua equipe fizeram um bom trabalho e me deram notícias animadoras. Dois dias antes enquanto eles estudavam minhas radiografias explicavam o procedimento as noticias não eram nada otimistas. Eu consegui fazer uma cagada tão grande na minha mão direita que até os médicos desconfiaram de que minha lesão tinha saido de uma singela pelada. A situração era a seguinte: O fragmento do osso que havia se soltado havia formado uma calcificassão em torno dele. "Não dá pra saber o que é osso e o que não é, você demorou demais pra se operar!" O pior não era isso... "Pra consertar isso aqui e colocar o tendão de novo no lugar a gente vai ter que trabalhar em um grupamento de musculos meio complicado..."

Sabe aquela parte da tua mão abaixo do mindinho que você nunca reparou? Pois é... experimenta assinar seu nome em qualquer lugar com o mindinho estirado.

Eis o drama. Logo agora que eu estava voltando a desenhar depois de anos sem brincar com nanquim? Segunda-feira eu tirei o dia pra chorar como a muito não fazia. Pensei em ligar pra Yuyu ou então pro Deco mas segurei a minha onda. "Seja homem uma vez nessa sua vida, p*rra!"

Nem eu sabia o quanto voltar a desenhar era importante pra mim.

Quando cheguei no hospital na terça pela manhã, parecia um piqinique em família. Minha mãe, minha irmã caçula, ...e meu pai.Por um instante fiquei em dúvida se estava mais ansioso pela operação ou por ele estar alí. Eu sentia mais desconfiança na presença dele do que comoção por todo seu altruísmo. Cheguei a esquecer onde eu estava e o que eu ia fazer alí.

Ah sim..., quando me enfiaram dentro de uma camisola eu me lembrei. ¬¬

Aí começaram os procedimentos. Coleta de sangue, iniciar alimentação intravenosa, um comprimido de Dorminide, pressão cai pra 5 por 8, abre mais o soro, sobe pressão, espera estabilizar, deita na maca e vamos para o "açougue".

Me lembro do cara que mo conduziu de um prédio pra outro na maca. Janilson..., boa gente. Conversamos alguma coisa sobre futebol... Um torcedor tricolor, assim como eu, enfurecido com a queda do nosso Bahia pra série C. "Alguém vai pagar caro quando eu sair daqui!" Na hora de colocar a maca no elevador me deu vontade a perguntar se ele tinha carta de motorista, mas ele brincou com o assunto antes. "Perdi 4 vezes no teste prático do DETRAN..., baliza é f*da!" Mesmo "grogue" eu dei uma risada e mandei bala:"Tenho um amigo em SP que dirige igual a você e acrdite, isso não é nada bom." Estava dopado, verdade, mas ainda bem lúcido pra não comparar ele com a Iris...

E depois disso eu apaguei. Quando eu acordei estava na mesa de operação já com o curativo fechado. Eu estava deitado e devia ter uns sete ou oito mascarados me olhando de cima, parecia uma tomada de camera de "Arquivo X".

Bem..., antes "Arquivo X" do que "Ghost - Do Outro Lado da Vida".

Na manhã seguinte enquanto me deliciava com um nutritivo banquete de mingau de aveia e canela, bolo de coco, pão com queijo branco, dois gomos de tangerina e um suco amarelo que não deu pra discernir exatamente do que era (pensando bem, eu descobri os itens da bandeja pela cor e/ou formato, porque de gosto, eram todos iguais) Dr. Ricardo entrou no quarto e me deu ótimas noticias. "Sua fisioterapia começa na sexta às oito. Vão ser 40 minutos todos os dias e não ouse faltar um dia sequer. Você teve sorte. Só vai perder 20% da articulação da segunda falange do mindinho e essa margem ainda pode ser reduzida durante o tratamento. Só depende da sua dedicação." Vão ser 120 dias longos... mas vão ser gloriosos. Tenho certeza.

No dia seguinte, depois de muitos mimos e muita comida ruim, era hora de me despedir da equipe. Foram todos muito cordiais comigo. As enfermeiras, os médicos, os serventes... menos o cozinheiro. Tentei guardar o máximo de nomes e histórias pra contar aqui mesmo num dia desses.

No caixa, a continha da obra de arte e dois dias no SPA: R$ 5.968,73 (Que o plano de alto risco da familia abateu pra R$ 1690,00)

Pensem comigo. Naquela velha série de TV, quando o astronauta Steve Austin foi transformado em um cyborg cheio dispositivos de alta tecnologia pelo governo americano, ele custou 6 milhões de dolares aos cofres da nação. Com 6 mil reais eu só coloquei um pino de titânio e um pedaço de arame. A não ser que a gase do curativo esconda algum super-poder, acho que foi um péssimo negócio.

Ô dinheirinho de merda.


PS: Esse post foi patrocinado pela minha mão esquerda

PS2: Vitão, Inspetor Bugiganaga é a *uta que lhe pariu! (Claro que não me refiro a minha tia Olga, afinal, os amigos tem duas mães justamente pra isso.)